11 de janeiro de 2009

Barbaridade: Fim da Bárbara.

Por Leo Nunes.

Na Grécia antiga, todos que não falavam a língua grega eram chamados de “bárbaros”, isto é, os estrangeiros, os “não gregos”. Pouco depois, a palavra foi utilizada no sentido de “não civilizado”. Anos e anos depois, as barbaridades vêm acontecendo gradativamente de modo a não acreditar que a evolução, a tecnologia, a ciência, entre outras consigam criar métodos para a melhoria de vida dos seres humanos, e os “não humanos” também. E de nada vale.

Há algumas semanas, passando perto de um viaduto do subúrbio carioca, deparei-me com três jovens espancando uma senhora, de aparentemente uns 50 anos, que trajava uns trapos velhos, parecia ser mais uma mendiga do cotidiano, talvez por falta de opção, não sei. Selvageria. Pura selvageria.

Avistei um guarda que parecia ter visto toda a cena assistida por mim, porém, sua reação foi ignorar e parecia achar uma situação normal do dia-a-dia de suas tarefas. Aproximei-me e informei-lhe o que estava acontecendo e como se tivesse tudo normal, com a maior tranqüilidade, o policial fingia não enxergar para onde eu apontava. Desisti. O sangue subiu a cabeça. O descaso dessa autoridade cuja atribuição é manter a segurança do povo deixou-me desnorteado. Resolvi fazer justiça com as próprias mãos, e nelas havia duas pedras francesas soltas da calçada e um pedaço de pau que encontrei próximo ao guarda. Parti em direção aos indivíduos que, segundos atrás, terminaram a surra na pobre mulher indefesa.

Numa distância de aproximadamente quatro metros, a primeira pedra atingiu a cabeça de um deles, aparentemente o mais forte do bando, que sem olhar para trás, correu com a blusa totalmente ensangüentada, e metros adiante, caiu sem forças para se movimentar. Sem que pudesse manifestar qualquer reação, o segundo levou uma paulada na perna esquerda, caindo e conseguindo forças na direita para fugir, subiu num ônibus que passava no momento. O terceiro elemento tentou segurar no meu braço, entretanto, a outra pedra que segurava na mão esquerda foi de encontro a sua face, deixando seu nariz como se fosse uma cachoeira jorrando sangue e misturando no fedido suor que exalava. Este também conseguiu fugir no mesmo coletivo que o segundo delinqüente.

Neste momento, fui em direção à senhora que se encontrava imóvel no chão, ao lado da coluna que sustenta o viaduto. A pobre não parecia respirar. Ao lado do seu corpo, uma toalha bordada de crochê com letras que estampava, provavelmente, seu nome: BÁRBARA.

O mesmo policial que desleixou sobre o caso, deu-me ordem de prisão.


Por Leo Nunes.

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossa Léo!!!! Se não te conhecesse juraria que você realmente viveu isso!!!! Muito bom!!!!
Beijocas. Saudades. Rô

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