22 de janeiro de 2009

Conto Com Todos


Aconteceu Na Aula De Português.

Numa terça-feira chuvosa, Arnaldo estava atrasado para a aula de português, pois o trânsito do Rio de Janeiro para assim que um pingo d'água cai ao chão.

Completamente molhado, chegou à universidade e subiu as escadas correndo em direção à sala. A aula já havia começado há 15 minutos. Entrou sem pedir licença nem desejar boa-noite aos presentes, pois essa mesma professora já havia recomendado isso a outro aluno aulas atrás. Percebeu que seu lugar onde sempre sentava estava ocupado por uma colega. Direcionou-se ao outro extremo da sala e, sem incomodar os demais, sentou-se lentamente. O público era grande e o ambiente estava lotado.

Enquanto retirava o material da mochila, notou que a pessoa que sentou no seu lugar de costume não tirava o olho dele. Era uma menina nova, que veio transferida de outro campus na semana passada.

Ela tinha um olhar encantador, que desviava sempre quando os olhos de Arnaldo encontravam-se com os dela. Ficaram assim, trocando olhares durante toda a aula, que obviamente não foi bem assistida por nenhum dos dois.

Ficou atento à menina, sempre se questionando se já havia visto tal figura no local. Passou a olhar com mais atenção e percebeu que a moça gostava muito de Literatura, porém demonstrava esse amor de forma muito diferente: em seu corpo havia desde Camões a Machado de Assis. Ele conseguiu ler um trecho que ficava em seu cotovelo (isso mesmo, nesse local absurdo!): “-Viver somente, não te peço mais nada.”. Logo ele, que acabara de ler Brás Cubas, identificou a frase e ficou muito intrigado com aquela presença feminina e diferente ao seu lado.

Do outro lado, com um olhar penetrante o olhava intensamente como se estivesse em um mundo longe, muito longe dali... E estava! Carlinda já vinha observando-o uma vez nos corredores da faculdade, e ao vê-lo entrar imaginou uma cena de novela que assistira há tempos, e classificando-a imprópria para o horário exibido, e quando avistou Arnaldo todo molhado, percebeu que ele poderia ser a pessoa que ela tanta esperava para reviver aquela cena inesquecível de novela, beijos enlouquentes, corpos ardentes envolvidos como se fossem um só. Momentos mágicos, de paixão, de tesão, e porque não de amor?

Mas Arnaldo, achando Carlinda muito atraente, não tirava o pensamento nem os olhos da nova colega, que havia ocupado o seu lugar. No final da aula, enquanto a maioria dos alunos estavam eufóricos para responder a chamada e ir embora, Arnaldo levantou-se, deu uma leve ajeitada na roupa, chegou perto da nuca da moça, que ainda guardava o material, e perguntou:

- Posso saber porque você sentou exatamente no meu lugar? Eu sento nesta cadeira desde o primeiro dia de aula, ninguém jamais teve essa ousadia... e deu um sorriso franco.

Ao que Carlinda respondeu:

- Desculpe, senhor dono do lugar, acabei de chegar e não havia nenhum nome escrito na cadeira, nem tampouco nenhum "traseiro" a ocupando, por isso ousei sentar. Mas de qualquer forma, boa noite, meu nome é Carlinda e o seu? Ela disse isso também com um sorriso sincero nos lábios. Arnaldo disse seu nome e os dois, esquecendo da chamada, iniciaram um longo papo.

Meses depois, Carlinda trancou a matrícula, pois restavam poucos dias para o nascimento de Arlindo, filho do seu amoroso colega de classe, Arnaldo, que nunca mais sentou no seu local favorito, que tinha sido tomado pela sua linda Carlinda.


Tema: Leo Nunes.

Autores: Amanda Maia, Amanda Rainha, Daniele Faxas, Leo Nunes, Rosane Giglio e Suzana Coelho (em ordem alfabética).

Um comentário:

Anônimo disse...

Amei este conto.

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