21 de maio de 2009

Bom texto para reflexão...

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL

Frei Betto

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!' Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo.. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"

Por Amanda Maia.

Especialização na ESTÁCIO[Ainda há tempo...]

Caríssimos,
Foi lançada uma nova turma de Especialização em Literaturas de Língua Portuguesa com início em 7/3. Como estamos muito próximos dessa data, preciso muito da ajuda de todos vocês, contactando as turmas de formandos de seus campus para divulgação do curso.O primeiro módulo será de disciplinas comuns e nossas disciplinas específicas devem iniciar em 16/5.Por favor, repassem meu e-mail (lisboamarcia@hotmail.com) e celular aos alunos interessados.
Conto com sua ajuda,
Um abraço,
Marcia Lisbôa
8135-9986

Por Rose Molinari.

Pedagogia para os alunos em dificuldade escolar.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742007000100009&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#qua4

A REPETÊNCIA É INEFICAZ

GRUPOS COM NECESSIDADES ESPECÍFICAS DE APRENDIZAGEM

PREVENIR OU CORRIGIR ERROS DOS ALUNOS?

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=34995932


Por Rose Molinari.

9 de fevereiro de 2009

Conto Com Todos II


Domingo.


Sabe aqueles dias que você acorda sem vontade e paciência para nada? Pois é. Esse foi um. Quiçá o pior deles. Domingo já não é um dos melhores para mim, e nem o belo sol que brilhava lá fora foi capaz de me fazer levantar da cama. Não era ressaca, dor nas costas, vontade de dormir mais um pouco, nada disso. Era um tédio interno mesmo. Os olhos abriam e fechavam num mecanismo robotizado, somente por obrigação. Por mim, eles poderiam permanecer fechados.

E porque eu estava assim? você vai me perguntar. E eu vou responder, não sei. Tenho trabalho, casa, família e saúde, tudo o que um homem precisa para ser feliz. Mas eu não sou, ou não estou não sei direito. Algo parece que vai explodir em meu peito. Queria que o dia se tornasse uma noite eterna, assim eu só iria dormir, não precisaria comer, tomar banho, nada, apenas cerrar os olhos e ficar deitado.

...

Memória Implacável


Por Leo Nunes.


Petrônio, completamente exausto de um dia estressante de trabalho, embarcara no trem que esperou por 15 minutos na estação do Engenho de Dentro, subúrbio do Rio de Janeiro. O coletivo ferroviário estava lotado, as portas não fechavam mais devido ao elevado número de passageiros, espremidos, grudados uns aos outros. Até que duas estações depois, algumas pessoas desceram e o nosso amigo conseguiu um lugarzinho de melhor posição dentro do vagão. Ao se esforçar para segurar na “chupeta”, esbarrou na mão de um cidadão que...

- Petrônio!!??
- Eu mesmo... – respondeu com uma cara de interrogação.
- Quanto tempo!!! Viajando de trem? Cadê aquele Chevette impecável que você tinha? Cara, aquilo que era carro...não chegava nem aos pés daquele calhambeque que teu irmão tinha... e olha que Péricles era doido pela aquela lata velha...hahahahahaha!!!E a Adélia, está bem?

Durante alguns segundos, o interrogado percorreu todos os arquivos da sua cachola e nada de saber quem era o tal sujeito que, além de lembrar do seu nome, recordou do irmão e da ex-namorada de adolescência.

- Deve estar bem...não sei, não a vejo faz tempo...
- Como assim? Dispensou aquela deusa grega? Com todo respeito, é claro!

Nesse momento, Petrônio resolveu entrar no papo para tentar descobrir de onde esse maluco o conhecia.

- É, tem razão! Realmente, Adélia era um avião, mas não deu certo...sabe como é, ninguém é perfeito! E você, por onde anda e o que faz da vida? Tem visto o pessoal? – jogou verde tentando colher maduro.
- Depois daquele dia, nunca mais estive com eles...e em relação à Adélia, vou lhe confessar uma coisa: sabia que não daria certo! Apesar de muito bonita, percebi que não era mulher para você. Você é um cara bacana, honesto, trabalhador, e não merecia o que ela fez com você.

O indagado enrubesceu de tal forma que uma senhora que estava ao seu lado direito e ouviu a prosa até o momento, perguntou:

- O senhor está bem? Fique perto da porta para pegar um arzinho... Ele nem olhou para cara da velha e prosseguiu o papo.
- Diga logo o que aquela safada fez!!!
- Ah, não vem ao caso agora...deixa pra lá!

Uns 15 centímetros a menos que o falador, era a altura do Petrônio. Entretanto, a indignação fez com que o baixinho se assemelhasse a um titã e o encarasse de uma vez por todas para o esclarecimento dessa polêmica.

- Meu irmão, diga logo quem é você e de onde me conhece!!! – falou num tom de voz que o vagão inteiro virou-se para prestar atenção no que estava acontecendo, até então despercebido por quase todos no trem.
- Calma, Pepê!
- Pepê é uma vírgula, rapaz!!!Que intimidade é essa?? – esse era o apelido que os colegas do primário colegial os chamavam.

O misterioso percebeu que o negócio não estava ficando bom para o seu lado e tentou amenizar a situação:

- Como não se lembra de mim? Fui um dos garçons daquele churrasco que aconteceu na casa do vizinho do primo de terceiro grau do Cléber...

Confuso como canário em um ninho de urubus, Pepê começou o interrogatório:

- Churrasco? Garçom? Vizinho do primo? Cléber? Está brincando comigo, cara??
- Foi sim! Há 16 anos, não lembra? Era fevereiro, foi aniversário de 15 anos da irmã do Jaime, uma linda moreninha que fazia qualquer cristão babar! Na época, tínhamos dezoito anos e seu irmão, dezenove. Ele era doido pela Janete, a aniversariante, porém, nunca teve chance...
- E quem era Cléber? – perguntou mais desnorteado do que no começo da conversa.
- Foi o príncipe que dançou valsa com a Janete, mas namorava o Pablo, inimigo número um do Péricles, seu irmão!
- Tá! E onde entra Adélia nessa história?
- Lembra da Clarinha, melhor amiga da Janete? Eram unha e carne! Nunca vi tamanha amizade!
- Claro que não lembro!
- Caramba!!! Eu era somente o garçom e lembro de tudo isso...e você, que era convidado da festa, tá certo que de tabela, mas era, não se recorda de nada? Eu, hein?
- Então... A Clarinha, namorava o Heitor, mas queria ficar com o Ernesto, que por sua vez, queria ficar com quem? ADÉLIA!!!!!!!!!!!!!!!

Foi aí que o “enganado” não agüentou e gritou:

- Que pilantra!!!
- O que foi, lembrou do Ernesto?? – o ex-garçom questionou com um ar esperançoso.- Ainda não...
- Pois é...Clarinha insistiu, insistiu, insistiu até conseguiu hipnotizar o pobre do Ernesto. Heitor, sentindo-se humilhado perante tal descaso, resolver investir na conquista da Adélia, sua namorada...
- Sem-vergonha!!! Canalha!!! Se eu encontrá-la...ah, você vai ver!!!
- E o pior da história foi que ele...

De repente, o trem, que já estava vazio, deu uma freada brusca e Pepê foi parar quase no outro extremo do vagão. Bateu com a cabeça num banco e depois de três minutos acordou meio aéreo, sem saber muito bem onde estava. Olhou para o seu “amigo” e disse:

- Quem é você?
- O garçom, lembra?
- Não, mas por favor, traga-me um copo d’água e um analgésico, pois minha cabeça está doendo muito...



Por Leo Nunes.

Revista Critério seleciona artigos para 10ª edição.


Aberta a temporada de textos.

Caros colegas, a Revista Critério procura autores interessados nas áreas de crítica cultural, literatura, artes, semiótica, sociologia, filosofia, ambiente e educação.

Visitem o site: www.revista.criterio.com.br e enviem textos para textoscriterio@gmail.com

Marcelo Chagas – editor Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=5320767


Por Rose Molinari.

Políticas Públicas.


Aula de Políticas Públicas e Organização da Educação Brasileira - Profª Lúcia Brichi - 2006.02

Juliana Cardoso, Aline, Verônica, Leo Nunes, Viviane Mira e Paula Beatriz.

Por Leo Nunes.

30 de janeiro de 2009

DECLARAÇÃO DE CONCLUSÃO DE CURSO - R$ 5,00


E aí galera? Animados pra essa nova etapa que nos espera? Pra quem estiver precisando de algum documento para comprovar a conclusão do curso, ou até mesmo portar esse documento por alguma outra razão, no SIA na guia REQUERIMENTOS tem a opção declaração de conclusão de curso, você faz o requerimento, após o requerimento feito o sistema gera uma boleta no valor de 5 reais, após o pagamento, deverá aguardar um dia e ir lá na secretaria do campus. Na declaração vem a informação que o aluno concluiu o curso e sua colação será em março de 2009. Um beijo a todos... e muitas saudades...rs!


Por Amanda Maia.

27 de janeiro de 2009

Calendário dos blocos do CARNAVAL 2009.


Aí galera pra quem gosta de se programar com antecedência e curtir o Carnaval aqui na cidade do RIO mesmo aí vai a programação dos blocos.... Um beijão pra tds!!!

Carmelitas
Desfiles: 20 de fevereiro e 24 de fevereiro, 18h
Concentração: Largo das Neves – Santa Teresa

Bloco Virtual
Desfile: 23 de fevereiro, às 16h
Concentração: Posto Nove (Avenida Vieira Souto) - Ipanema

Cordão da Bola Preta
Desfile: 14 de fevereiro, às 15h
Concentração: Praça Mauá (Avenida Rio Branco) – Centro
Desfile: 21 de fevereiro, às 10h
Concentração: Cinelândia – Centro

Empolga às 9
Desfile: 15 de fevereiro, às 16h
Concentração: Posto Nove (Avenida Vieira Souto) – Ipanema
Desfile: 21 de fevereiro, 16h
Concentração: Casa da Matriz (Rua Henrique de Novais 107) – Botafogo

Tô Que Tô Sem Fim
Desfile: 24 de fevereiro, às 14h
Concentração: Cobal do Leblon (Rua Gilberto Cardoso) – Leblon

Vem Ni Mim Que Sou Facinha
Desfile: 20 de fevereiro, às 17h
Concentração: Praça General Osório - Ipanema

Monobloco
Desfile: 1º de março, às 9h
Local: Avenida Atlântica - Praia de Copaca

Desfile dos blocos de empolgação
Simpatia É Quase Amor
Desfiles: 14 de fevereiro e 22 de fevereiro, às 16h
Concentração: Praça General Osório, em Ipanema

Imprensa Que Eu Gamo
Desfile: 7 de fevereiro, às 12h
Concentração: Mercadinho São José (Rua das Laranjeiras) – Laranjeiras

Escravos da Mauá
Desfile: 15 de fevereiro, às 11h
Local: Largo de São Francisco da Prainha – Centro

Meu Bem, Volto Já!
Desfile: 24 de fevereiro, às 16h
Concentração: Avenida Princesa Isabel esquina com Rua Barata Ribeiro – Leme

Suvaco de Cristo
Desfile: 15 de fevereiro, 13h
Concentração: Bar Jóia (Rua Jardim Botânico esquina com Rua Faro) – Jardim Botânico

Gigantes da Lira
Desfile: 15 de fevereiro, 16h
Concentração: Praça Aliança, na Rua General Glicério – Laranjeiras

Bloco do Barbas
Desfile: 21 de fevereiro, 15h
Concentração: Rua Arnaldo Quintela – Botafogo

Que Merda É Essa?
Desfile: 22 de fevereiro, às 14h
Concentração: Bar Paz e Amor (Rua Garcia D´Ávila esquina com Rua Nas)


Por Amanda Maia.

CIEE/Rio lança programas na TV.


Os programas ENCONTROS COM A LÍNGUA PORTUGUESA e EDUCAÇÃO EM DEBATE, nova oportunidade oferecida pelo CIEE/Rio aos jovens que se preparam para ingressar no mercado de trabalho, irão ao ar todas as quintas-feiras(21h30min) e sábados(22h), a partir, respectivamente, dos dias 29/01 e 31/01 pelo Canal 16(UTV).

O Programa Encontros com a Língua Portuguesa estará a cargo do Acadêmico Evanildo Bechara e o Educação em Debate será comandado pelo imortal Arnaldo Niskier.


Por Rose Molinari.

25 de janeiro de 2009

Ameaça de nadar e morrer na praia.


Por Leo Nunes.

Apreensão de barracas e mercadorias dos camelôs, demolição de construções irregulares, recolhimento de meninos de rua e mendigos, corte de gastos com obras consideradas supérfluas, rígida fiscalização contra transportes coletivos ilegais, interdição de boate funcionando sem alvará, suspensão da venda de bebidas alcoólicas ao redor do Maracanã em dias de jogos, proibição de futebol e churrasquinho nas areias das praias, essas, entre outras, são ações que estão sendo tomadas pela nova prefeitura do município do Rio de Janeiro.

Eduardo Paes declarou que precisará de oito anos para que a ordem no Rio atinja quase os cem por cento, pois muita coisa está fora do lugar devido aos desleixos das gestões anteriores. O atual prefeito foi eleito pela maioria da população carioca que é formada pelas classes média e baixa, e estas são as maiores vítimas envolvidas nas intervenções citadas no começo do texto. Apesar de a ordem urbana estar sendo benéfica para a cidade, muitos reclamam que estão deixando de granjear seu “ganha-pão”.

Será que o prefeito conseguirá votos desses mesmos eleitores para sua reeleição, daqui a quatro anos, para cumprir suas metas?

Síndrome de Dom Quixote: (Ir)responsabilidades no tocante à importância da Leitura na sociedade brasileira pós-moderna.


Por Wander Lourenço

“E assim de pouco dormir e muito ler, aconteceu ressecarem-se-lhe
os miolos e toldar-se-lhe de todo o juízo. Povoou-se-lhe
a fantasia tudo o que lia nos romances, encantamentos,
pendências, batalhas, desafios, lanhos dados e recebidos,
requebros, amores, tormentos e disparates impossíveis.”

(Cervantes, Miguel de. Dom Quixote de La Mancha.)


“– Aqueles livros, aquela mania de leitura...
– Pra que ele lia tanto? indagou Caldas.
– Telha de menos, disse Florêncio. [...]
– Aquele Quaresma podia estar bem, mas foi meter-se com livros...
É isto! Eu, há bem quarenta anos, que não pego em livro...”

(Barreto, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma.)


A grande diferença entre o Dom Quixote de Miguel de Cervantes para as outras antológicas criações da literatura universal, entre as quais Hamlet de Shakespeare; Fausto de Goethe; Raskólnikov de Dostoievski; e, por fim, Brás Cubas de Machado de Assis, vem a ser que o Cavaleiro da Triste Figura, assim alcunhado por seu fiel escudeiro Sancho Pança, se libertara dos grilhões da concepção artístico-ficcional; ou melhor, desacorrentara-se da pouco onisciente pena do grande prosador espanhol do século XVII, para fazer-se personagem de si mesmo ao tornar-se Cavaleiro Andante, à força de sua pródiga e fértil imaginação. Entretanto, a questão crucial fora que tal libertação embrionária no âmbito da criação literária ocidental ocorrera pelo viés do ato da Leitura, cujos arroubos impulsionariam o intelectual andarilho da província de La Mancha, entusiasta dos registros medievais de cavalaria, a resgatar das páginas do romanceiro trovadoresco o ofício do Rei Arthur e de seus discípulos da Távola Redonda. Atitude esta caracterizadora de afamado e inconseqüente desvario deste senhor esguio de aproximadamente cinqüenta anos de idade, que culminaria no divulgado episódio do enfrentamento dos moinhos de vento confundidos com gigantes inimigos. A partir da publicação da obra seiscentista Dom Quixote, o hábito de ler livros – sobretudo os de ficção –, abarcaria de forma rudimentar e retrógrada, no imaginário e inconsciente coletivo do povo brasileiro, como sendo o principal e mais confiável aliado da loucura humana, de modo que ler passou a ser uma iminente ameaça à sobriedade cerebral do indivíduo moderno e miscigenado, incauto habitante destes edênicos trópicos sul-americanos.

Para início de conversa, o livro, diga-se de passagem, não é e jamais poderia ser injustamente considerado ou rotulado, em nenhuma instância, como elemento causador dos sinais de insanidade mental, a não ser na consciente proposição artística concebida por Cervantes, com o intuito de desestabilizar os percursos e vertentes literários, que norteavam o ideário estético intrínseco a toda prosa de ficção produzida na Europa e, de um modo geral, no Ocidente. No Brasil contemporâneo, a Questão ou Problematização da Leitura, conforme alguns teóricos se referem à temática apresentada, fora atirada a um inconcebível patamar de patologia clínica e contagiosa, a partir da estúrdia experiência quixotesca que, a princípio, justifica e faz com que a cúmplice nação tupiniquim compreenda nitidamente, quando o presidente da República, o Sr. Luis Inácio Lula da Silva – um Silva, observa-se! – em informal pronunciamento declarara-se um não leitor convicto. Por conseguinte, um autêntico anti-Quixote – lúcido e ignorante. Dito isto e divulgado pelos meios de comunicação, de fato, o incauto ex-líder sindical do ABC desautorizou qualquer viabilidade de campanha publicitária de âmbito governamental via MEC ou Ministério da Cultura, no tocante à importância do hábito de ler, especificamente na formação intelectual de um próspero e ordeiro país, (des)governado por um homem que, num outro inconseqüente depoimento, desvalorizara o diploma universitário no instante em que esfregava na face de um Brasil academicista o seu honrado certificado de Torneiro Mecânico, concedido pelo SENAC, cujo insigne documento o avultara à incontestável condição de chefe de governo republicano. Ora, mas como um iletrado governante poderia dissimuladamente ocultar da sociedade brasileira esta espécie de pecado moral ou preguiça congênita, em hipótese alguma confessado por políticos ou pessoas públicas – a rejeição à Leitura? Mas o fato é que no bojo desta indagação ainda caberia um outro questionamento: será que se acaso o presidente Lula se autoproclamasse do Oiapoque a Garanhuns um leitor voraz – do caderno de esporte da Folha de São Paulo sobre o seu Corinthians que o fosse –, num confessionário público, o renomado chefe desta Tropicália ao Sul do Equador não estaria ofendendo os seus potencialmente analfabetos eleitores, estupefatos com tal arrogância proveniente de uma inventada e mal arranjada erudição? Luis Inácio Lula da Silva faz parte de uma multidão de semiletrados funcionais, aos quais não foram imputados quaisquer programas de iniciação à Leitura e/ou à Escrita; e, sem sombra de dúvida, isto não decorrera apenas por intermédio de uma herança miserável ou em razão de sua procedência de imigrante nordestino. Não. Cabe atentar para uma incômoda – e por inúmeras vezes inconveniente –, constatação fatídica que deságua impunemente num resignado hibridismo de frase-tese-sentença: O cidadão brasileiro, de um modo geral, metalúrgico, engenheiro ou presidente da República, não está habituado ao ato de ler e escrever, não só por exclusiva falta de incentivos educacionais múltiplos, que jamais foram discutidos com seriedade e boa disposição em nenhum momento da História pátria, como também por desinteresse e desatenção culturais, que o condicionam a uma deplorável categoria de homens sem ilustração e imaginação, ainda que bem assistidos e alimentados acima dos parâmetros de miserabilidade estipulados pelo Fome Zero ou pelo Bolsa Família.

O filósofo grego Platão, em seu Fedro, no capítulo intitulado “A invenção da escrita”, assevera que o livro quando é desprezado ou injustamente censurado, após a sua publicação, necessitaria do auxílio de seu pai-autor, por não ser capaz de se defender nem de se proteger por si. De fato, a ínfima parcela da sociedade brasileira, com um grau aceitável de intelectualidade e consciência crítica, presencia atônita e pacificamente a uma tácita e velada censura à Leitura, ocasionada por tal síndrome quixotesca, que ultrapassa com folga qualquer teoria ou campanha contundente e intempestiva a favor da liberdade de expressão. Sim, porque de certa forma oferecer ao público leitor uma obra literária, ou não, se tornou recorrentemente uma tarefa menos árdua; e, destarte, não há qualquer hipótese de obstáculo censor – aliás o seria inconcebível num Estado democrático –, que impeça, proíba ou mesmo imponha modificações nos registros textuais publicados. Conseguintemente, as autoridades governamentais, qual o ex-torneiro mecânico Luis Inácio da Silva ou o Prof. Dr. Fernando Henrique Cardoso que, por cumplicidade com os detentores do poder econômico, consoante denunciava a esquerda em suas bravatas contestadoras; ou mesmo por ignorância e abominação diante da realidade dos excluídos intelectualmente, lavam as mãos diante da opinião pública. Todavia, estas autoridades, em suas gestões políticas, batem no peito heroicamente esbravejando que jamais ocorrera qualquer interrupção arbitrária ou repúdio de qualquer espécie na concepção, elaboração e publicação das produções intelectuais dos autores nacionais ou estrangeiros – com exceção, obviamente, da ocasião daquela esdrúxula e fantasmagórica reportagem, a respeito da inverídica preocupação nacional mediante o alcoolismo do presidente da República. Por este raciocínio, então estaria consolidada, pelo viés da não intromissão estatal na execução do tecer laborioso da palavra escrita, a democracia intelectual onipresente em todas as esferas sócio-culturais da nação brasileira? Não. Não bastaria apenas permitir democraticamente a publicação dos esparsos registros ficcionais e acadêmicos, para o conceitual extermínio e exclusão desta praga epidêmica estranguladora da intelectualidade e do pensamento crítico, denominada Síndrome de Dom Quixote. Isto porque à imensa camada social composta por miseráveis analfabetos e não leitores burgueses – o que, no fim das contas, daria quase no mesmo, de vez que todos estariam contaminados por esta nova versão ou edição da gripe espanhola –, sejam negados, por múltiplas vias, entre as quais o fator financeiro, o real acesso ao livro publicado; e, posteriormente, mal arranjado nas prateleiras das parcas livrarias existentes. Ou melhor seria substituir este último vocábulo por ‘persistentes’, em consonância com os seus fornecedores editoriais, pateticamente suplicando em conferências ou entrevistas a crucial isenção de IPTU para seus estabelecimentos comerciais?!... E, de outra feita, caso a questão seja meramente financeira – o que margearia, no mínimo, o âmbito do questionável em se tratando de Brasil –, por que não se pensar num projeto inovador e revolucionário de divulgação de tais obras literárias, ou enfim... historiográficas, sociológicas, filosóficas etc., escritas e publicadas, de modo a capturar este desavisado não-leitor e inseri-lo convenientemente no universo das Letras impressas? Como resposta, só há uma solução: a construção de bibliotecas. E, para a concepção deste espaço educacional, as autoridades federais, estaduais e municipais imaginaria e utopicamente se uniriam, em parceria inédita com o capital financeiro privado representado, sobretudo, pelos recursos não diretamente monetários dos Dom Queixosos editores de livros. Para ser mais explícito, o poder público se mobilizaria na proposição de se erguer ou desapropriar inúmeros prédios, que poderiam homenagear os mais avultados autores nacionais ou mesmo estrangeiros – quiçá, pelo viés de uma refinada ironia genuinamente machadiana, a primeira biblioteca inaugurada se chamaria Miguel de Cervantes –, que sejam publicados por esta ou aquela empresa brasileira ou multinacional, disposta a contribuir na concretização e execução do projeto não arquitetônico, mas sim intelectual.

Entre outras palavras, as instituições governamentais construiriam bibliotecas públicas, que seriam abastecidas de livros pelas principais editoras atuantes no país, ou por instituições diversas conveniadas a estas, por intermédio de um extraordinário mutirão social de Educação e Cultura. E, por este viés, todas as camadas populacionais decerto sairiam, para utilizar um termo mais propício e acalentador aos ouvidos dos impávidos empresários interessados, ‘lucrando’, e muito!, nesta insuspeita empreitada de espírito genuinamente patriota inserida nos alicerces do crescimento do patrimônio humano, numa mobilização de combate e enfrentamento a este indubitável mal-do-século XXI – o repúdio e a rejeição ao ato e hábito de Ler. Em suma, as construções ou restaurações de tais prédios seriam denominadas ou batizadas à conveniência dos investidores, a exemplo Biblioteca Guimarães Rosa, Jorge Luis Borges ou Paul Auster. E estas seriam municiadas pelo capital de produção livresca daquelas empresas que, decerto, englobariam, a médio e longo prazo, além de um fabuloso investimento educacional na formação intelectual deste povo tupiniquim afeito ao cancioneiro e à batucada, a compensação de tais prejuízos financeiros intencionalmente assumidos pelas editoras brasileiras, quer seja por intermédio de incentivos fiscais propiciados pelas múltiplas instâncias constitucionais; quer seja pela máxima de que ‘todo leitor que se preza sonha e pretende ter a sua biblioteca particular’, conforme aquele inconsolável José, e agora?, do poema de Carlos Drummond de Andrade, autor que, com a sua sobriedade, talento e inspiração, muito tentara, possivelmente não em vão, acabar com este mal que assola o país – a síndrome de Dom Quixote – ou: a (ir)responsabilidade no tocante à importância da Leitura na sociedade brasileira pós-moderna.

Por Wander Lourenço.

22 de janeiro de 2009

Conto Com Todos


Aconteceu Na Aula De Português.

Numa terça-feira chuvosa, Arnaldo estava atrasado para a aula de português, pois o trânsito do Rio de Janeiro para assim que um pingo d'água cai ao chão.

Completamente molhado, chegou à universidade e subiu as escadas correndo em direção à sala. A aula já havia começado há 15 minutos. Entrou sem pedir licença nem desejar boa-noite aos presentes, pois essa mesma professora já havia recomendado isso a outro aluno aulas atrás. Percebeu que seu lugar onde sempre sentava estava ocupado por uma colega. Direcionou-se ao outro extremo da sala e, sem incomodar os demais, sentou-se lentamente. O público era grande e o ambiente estava lotado.

Enquanto retirava o material da mochila, notou que a pessoa que sentou no seu lugar de costume não tirava o olho dele. Era uma menina nova, que veio transferida de outro campus na semana passada.

Ela tinha um olhar encantador, que desviava sempre quando os olhos de Arnaldo encontravam-se com os dela. Ficaram assim, trocando olhares durante toda a aula, que obviamente não foi bem assistida por nenhum dos dois.

Ficou atento à menina, sempre se questionando se já havia visto tal figura no local. Passou a olhar com mais atenção e percebeu que a moça gostava muito de Literatura, porém demonstrava esse amor de forma muito diferente: em seu corpo havia desde Camões a Machado de Assis. Ele conseguiu ler um trecho que ficava em seu cotovelo (isso mesmo, nesse local absurdo!): “-Viver somente, não te peço mais nada.”. Logo ele, que acabara de ler Brás Cubas, identificou a frase e ficou muito intrigado com aquela presença feminina e diferente ao seu lado.

Do outro lado, com um olhar penetrante o olhava intensamente como se estivesse em um mundo longe, muito longe dali... E estava! Carlinda já vinha observando-o uma vez nos corredores da faculdade, e ao vê-lo entrar imaginou uma cena de novela que assistira há tempos, e classificando-a imprópria para o horário exibido, e quando avistou Arnaldo todo molhado, percebeu que ele poderia ser a pessoa que ela tanta esperava para reviver aquela cena inesquecível de novela, beijos enlouquentes, corpos ardentes envolvidos como se fossem um só. Momentos mágicos, de paixão, de tesão, e porque não de amor?

Mas Arnaldo, achando Carlinda muito atraente, não tirava o pensamento nem os olhos da nova colega, que havia ocupado o seu lugar. No final da aula, enquanto a maioria dos alunos estavam eufóricos para responder a chamada e ir embora, Arnaldo levantou-se, deu uma leve ajeitada na roupa, chegou perto da nuca da moça, que ainda guardava o material, e perguntou:

- Posso saber porque você sentou exatamente no meu lugar? Eu sento nesta cadeira desde o primeiro dia de aula, ninguém jamais teve essa ousadia... e deu um sorriso franco.

Ao que Carlinda respondeu:

- Desculpe, senhor dono do lugar, acabei de chegar e não havia nenhum nome escrito na cadeira, nem tampouco nenhum "traseiro" a ocupando, por isso ousei sentar. Mas de qualquer forma, boa noite, meu nome é Carlinda e o seu? Ela disse isso também com um sorriso sincero nos lábios. Arnaldo disse seu nome e os dois, esquecendo da chamada, iniciaram um longo papo.

Meses depois, Carlinda trancou a matrícula, pois restavam poucos dias para o nascimento de Arlindo, filho do seu amoroso colega de classe, Arnaldo, que nunca mais sentou no seu local favorito, que tinha sido tomado pela sua linda Carlinda.


Tema: Leo Nunes.

Autores: Amanda Maia, Amanda Rainha, Daniele Faxas, Leo Nunes, Rosane Giglio e Suzana Coelho (em ordem alfabética).

16 de janeiro de 2009

Seleção para tutores - Pré-Vestibular Social


INSCRIÇÕES PARA SELEÇÃO DE TUTORES 2009 - Pré-Vestibular Social


As inscrições para a seleção de tutores do Pré-Vestibular Social - PVS estão abertas de 15 de dezembro de 2008 a 03 de fevereiro de 2009, somente pela Internet no endereço http://www.pvs.cederj.edu.br/

Há 149 vagas para as disciplinas de Biologia, Física, Geografia, História, Língua Portuguesa, Matemática, Química e Redação em 44 pólos.

O processo seletivo consiste de 2 etapas. Na primeira, o candidato fará provas de Língua Portuguesa Geral e de Conteúdo Específico no dia 14 de fevereiro e se for pré-selecionado para a 2ª etapa deverá realizar a Prova Didática perante uma banca examinadora de 3 membros, na primeira semana de março.

Podem se inscrever para ministrar qualquer disciplina graduados e graduandos matriculados em qualquer período em instituições de ensino superior públicas ou privadas.

O candidato pode se inscrever para qualquer pólo, estando ciente de que, caso aprovado para um pólo que não seja próximo ao seu local de residência, deverá arcar com os custos do transporte.
Após preencher o formulário de inscrição pela Internet o candidato deverá clicar no botão gerar boleto bancário relativo à taxa de inscrição de R$ 22,00 (vinte e dois reais).

O bolsista tutor selecionado deverá cumprir 8 horas semanais, das 8h às 17h ou das 9h às 18h dependendo do pólo, com 1 hora de intervalo para o almoço, aos sábados, ministrando aulas e participando de outras atividades pedagógicas, assim como planejar aulas, corrigir exercícios e simulados no pólo ou fora dele. Nos pólos onde ocorrem aulas em dois dias na semana o tutor deverá cumprir a carga horária acima, 4 horas por dia, das 13:30h às 17:30h, além das outras atividades mencionadas. Dependendo do número de alunos/turmas a serem implementadas nos pólos em função das inscrições e do processo seletivo dos alunos, a carga horária do tutor em sala de aula e seu tempo de permanência no pólo poderão configurar o que segue:

8 horas de permanência no pólo, dentre as quais 4 horas em sala de aula, correspondendo a uma bolsa de R$ 440,00;

8 horas de permanência no pólo, dentre as quais 6 horas em sala de aula, correspondendo a uma bolsa de R$ 660,00;

nos pólos em que são previstas aulas somente à tarde, 2 vezes por semana, o tutor deverá permanecer 4 horas por dia no pólo, das 13:30 às 17:30, ministrar 2 horas aula por dia, totalizando 4 horas aula por semana, correspondendo a uma bolsa de R$ 440,00.


Por Lana Rego.

Dá-lhe, Wander! ! !


Grande Wander! Como sempre, muito bem acompanhado!!!

Mais uma lembrança do aniversário da Rosane.

Solange, Carla, Wander, Rosane, Margareth, Suzana, Adriana e Gabriela.


Por Leo Nunes (Foto enviada por Rosane Giglio).

11 de janeiro de 2009

Barbaridade: Fim da Bárbara.

Por Leo Nunes.

Na Grécia antiga, todos que não falavam a língua grega eram chamados de “bárbaros”, isto é, os estrangeiros, os “não gregos”. Pouco depois, a palavra foi utilizada no sentido de “não civilizado”. Anos e anos depois, as barbaridades vêm acontecendo gradativamente de modo a não acreditar que a evolução, a tecnologia, a ciência, entre outras consigam criar métodos para a melhoria de vida dos seres humanos, e os “não humanos” também. E de nada vale.

Há algumas semanas, passando perto de um viaduto do subúrbio carioca, deparei-me com três jovens espancando uma senhora, de aparentemente uns 50 anos, que trajava uns trapos velhos, parecia ser mais uma mendiga do cotidiano, talvez por falta de opção, não sei. Selvageria. Pura selvageria.

Avistei um guarda que parecia ter visto toda a cena assistida por mim, porém, sua reação foi ignorar e parecia achar uma situação normal do dia-a-dia de suas tarefas. Aproximei-me e informei-lhe o que estava acontecendo e como se tivesse tudo normal, com a maior tranqüilidade, o policial fingia não enxergar para onde eu apontava. Desisti. O sangue subiu a cabeça. O descaso dessa autoridade cuja atribuição é manter a segurança do povo deixou-me desnorteado. Resolvi fazer justiça com as próprias mãos, e nelas havia duas pedras francesas soltas da calçada e um pedaço de pau que encontrei próximo ao guarda. Parti em direção aos indivíduos que, segundos atrás, terminaram a surra na pobre mulher indefesa.

Numa distância de aproximadamente quatro metros, a primeira pedra atingiu a cabeça de um deles, aparentemente o mais forte do bando, que sem olhar para trás, correu com a blusa totalmente ensangüentada, e metros adiante, caiu sem forças para se movimentar. Sem que pudesse manifestar qualquer reação, o segundo levou uma paulada na perna esquerda, caindo e conseguindo forças na direita para fugir, subiu num ônibus que passava no momento. O terceiro elemento tentou segurar no meu braço, entretanto, a outra pedra que segurava na mão esquerda foi de encontro a sua face, deixando seu nariz como se fosse uma cachoeira jorrando sangue e misturando no fedido suor que exalava. Este também conseguiu fugir no mesmo coletivo que o segundo delinqüente.

Neste momento, fui em direção à senhora que se encontrava imóvel no chão, ao lado da coluna que sustenta o viaduto. A pobre não parecia respirar. Ao lado do seu corpo, uma toalha bordada de crochê com letras que estampava, provavelmente, seu nome: BÁRBARA.

O mesmo policial que desleixou sobre o caso, deu-me ordem de prisão.


Por Leo Nunes.

Irmãos Gêmeos???


Semana de Letras - 2007.02

Profº Daniel e Leo Nunes: Quem é quem???


Por Leo Nunes.

9 de janeiro de 2009

UFRJ- Pós Graduação Latu Sensu 2009: GRÁTIS!!!!!!


Inscrições para Pós Latu Sensu: cursos gratuitos

Faculdade de Letras . UFRJ
As inscrições serão realizadas de 09 a 13 de fevereiro de 2009, no horário das 10h30min às 15h30min, na sala F-309, Secretaria de Pós-Graduação, Faculdade de Letras, Av. Horácio Macedo, 2.151 – Módulo Acadêmico III Cidade Universitária, Ilha do Fundão, CEP 21941-590 Rio de Janeiro, RJ.

Literaturas Portuguesa e Africanas - 30 vagas

Literatura Espanhola Contemporânea - 20 vagas

Literaturas Hispano-americanas - 20 vagas

Língua Árabe - 20 vagas

http://www.letras.ufrj.br/posgraduacao/docs.htm

http://www.letras.ufrj.br/posgraduacao/EDITALLatoSensu2009.htm


Por Amanda Maia.

Profº Wander e as Wandetes!


Eliane, Jaqueline, Cristina, Profº Wander, Viviane Mira e Amanda Maia.

Por Viviane Mira.

7 de janeiro de 2009

A Dança da Lua Cheia.

A Lua cheia branca no céu
Ilumina a noite escura
Uma sombra se forma na parede preta
Mexendo-se como a dançar.
A sombra se divide
Fazendo-se duas,
Fixo meus olhos para entender
Parece um corpo,
Um corpo feminino.
Não, é um corpo masculino.
Não,
Ora ele é feminino,
Ora é masculino.
Não é um corpo...
São dois corpos.
Eles estão bailando?
Não,
Eles estão se amando.
Ora dia, ora noite.
Ora homem,
Ora mulher.
Um cobre o outro,
Como o sol e a lua.
O sol que deita sua beleza na noite escura
E faz brilhar a lua.
Transformando-a em uma mulher,
Bela, sensual e apaixonada.
A Lua que se permite banhar por aqueles raios
E se deixa transformar em uma mulher
Bela, sensual e apaixonada.
Expondo toda a sua plenitude feminina
Num acasalamento de dois corpos,
Transformados em um só pelo amor.
E assim eles seguem
Enquanto a lua brilhar
Dançando a valsa da paixão.
Até o dia clarear.

Por Rosane Giglio.

Aniversário da Rosane ! ! !


Mariana, Rose, Adriana, Juliana, Carla, Fábio, Solange, Suzana, Rosane, Amanda Rainha, Gabriela, Luciano, Paula, Alexandre, Evelin, Aguinaldo e Verônica.

Por Rosane Giglio.

A Primeira Vez.

Por Leo Nunes.

Classificado como excelente funcionário devido o comportamento exemplar e raro, Anacleto trabalhava numa repartição pública, no centro do Rio de Janeiro, próximo a sua humilde residência. Carioca, de família simples e íntegra, solteiro e respeitador, tinha qualidades de um jovem de boa índole.

Numa segunda-feira de julho, Anacleto, como todo santo dia, chegou à lida de prontidão antes de todos seus colegas de trabalho. Tomou sua xícara de café bem adocicada, duas ou três bolachas sem manteiga e meia pêra que vinha embrulhada de casa em papel laminado. Sentou-se à mesa, separou alguns papéis, preparou a máquina de escrever e a calculadora, segregou algumas coisas cujo destino era o lixo e começou a sua diária concentração.

Por volta das oito e trinta da manhã, o murmúrio entre os outros funcionários era intenso, no qual o desconcentrava e chamava a atenção de Anacleto, que se levantou e foi ver de perto o motivo de tanta agitação. Chegando a sala ao lado, deparou-se com um estagiário que não sabia se carregava uma pilha de documentos ou se olhava para o fundo do ambiente, precisamente na direção de uma jovem que estava sendo entrevistada pelo chefe da repartição. Anacleto congelara quando fixou seu olhar nos olhos verdes da moça que pareciam esmeraldas virgens, nunca exploradas antes por nenhum garimpeiro, cuja reação fora retirar os óculos e com a boca entreaberta virou o corpo a noventa graus e voltou-se para sua mesa, totalmente desligado do lugar onde estava. Pela primeira vez, ele sentiu algo tão vigoroso em sua juventude.

No dia seguinte, Anacleto chegou à repartição mais cedo do que de costume. Não tomou o café, não comeu as bolachas, e nem mesmo trouxe sua meia banda da fruta predileta. Ingeriu somente um copo d’água. Nem se aproximou de sua mesa. Ficou a espera da visão que teve no dia anterior. Ficou sabendo pelos boatos dos companheiros que tal pessoa começaria a trabalhar na repartição com a função de secretária do chefe e que iniciaria no mesmo dia.

Em direção ao banheiro, que ficava próxima à entrada da repartição, o funcionário, até então padrão, inesperadamente, deparou-se com a nova secretária que surgiu ao abrir a porta do elevador. Numa reação relâmpago, Anacleto não permitiu que a jovem saísse e, com um beijo cinematográfico, adentrou-se ao elevador de tal maneira que a moça não teve outra resposta a não ser entregar-se ao fogo que possuía seu admirador. A porta fechou-se. A volúpia abriu-se. O desejo inundou-se. O tempo cessou-se. E foram poucos segundos de uma explosão inimaginável vinda de um vulcão que jamais entrou em erupção. Até que alguém apertou o botão e a porta se abriu exibindo dois corpos seminus e assustados com tal situação. Era o chefe da repartição. Sem remorso e sem piedade, ambos foram demitidos. A jovem tentou justificar a passividade na ação, porém inútil. Anacleto juntou seus pertences e desceu pelo mesmo elevador, que ainda exalava o cheiro do atrito dos corpos em copulação. Ela para um lado, ele para outro. Nunca mais se viram.

Foi a primeira vez que Anacleto teve uma paixão; a primeira vez que teve um contato com uma mulher; a primeira vez que sua reação fugiu da regra do dia-a-dia; a primeira vez que desonrou a família.

Dizem que viram Anacleto num prostíbulo da Lapa, depois de um mês do fato ocorrido. Não se sabe realmente se era ele. Sabe-se apenas que as primeiras vezes são inolvidáveis.


Por Leo Nunes.
Grupo oriundo do Curso de Letras - UNESA - JACAREPAGUÁ.
Aqui podemos unir sentimentos, conhecimentos, informações, entretenimento e, principalmente, mostrar ao mundo o que somos capazes de construir. Assim, mantemos viva a chama da amizade e do respeito, compartilhando com você, leitor, o que a Literatura pode nos oferecer.
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