9 de fevereiro de 2009

Conto Com Todos II


Domingo.


Sabe aqueles dias que você acorda sem vontade e paciência para nada? Pois é. Esse foi um. Quiçá o pior deles. Domingo já não é um dos melhores para mim, e nem o belo sol que brilhava lá fora foi capaz de me fazer levantar da cama. Não era ressaca, dor nas costas, vontade de dormir mais um pouco, nada disso. Era um tédio interno mesmo. Os olhos abriam e fechavam num mecanismo robotizado, somente por obrigação. Por mim, eles poderiam permanecer fechados.

E porque eu estava assim? você vai me perguntar. E eu vou responder, não sei. Tenho trabalho, casa, família e saúde, tudo o que um homem precisa para ser feliz. Mas eu não sou, ou não estou não sei direito. Algo parece que vai explodir em meu peito. Queria que o dia se tornasse uma noite eterna, assim eu só iria dormir, não precisaria comer, tomar banho, nada, apenas cerrar os olhos e ficar deitado.

...

Memória Implacável


Por Leo Nunes.


Petrônio, completamente exausto de um dia estressante de trabalho, embarcara no trem que esperou por 15 minutos na estação do Engenho de Dentro, subúrbio do Rio de Janeiro. O coletivo ferroviário estava lotado, as portas não fechavam mais devido ao elevado número de passageiros, espremidos, grudados uns aos outros. Até que duas estações depois, algumas pessoas desceram e o nosso amigo conseguiu um lugarzinho de melhor posição dentro do vagão. Ao se esforçar para segurar na “chupeta”, esbarrou na mão de um cidadão que...

- Petrônio!!??
- Eu mesmo... – respondeu com uma cara de interrogação.
- Quanto tempo!!! Viajando de trem? Cadê aquele Chevette impecável que você tinha? Cara, aquilo que era carro...não chegava nem aos pés daquele calhambeque que teu irmão tinha... e olha que Péricles era doido pela aquela lata velha...hahahahahaha!!!E a Adélia, está bem?

Durante alguns segundos, o interrogado percorreu todos os arquivos da sua cachola e nada de saber quem era o tal sujeito que, além de lembrar do seu nome, recordou do irmão e da ex-namorada de adolescência.

- Deve estar bem...não sei, não a vejo faz tempo...
- Como assim? Dispensou aquela deusa grega? Com todo respeito, é claro!

Nesse momento, Petrônio resolveu entrar no papo para tentar descobrir de onde esse maluco o conhecia.

- É, tem razão! Realmente, Adélia era um avião, mas não deu certo...sabe como é, ninguém é perfeito! E você, por onde anda e o que faz da vida? Tem visto o pessoal? – jogou verde tentando colher maduro.
- Depois daquele dia, nunca mais estive com eles...e em relação à Adélia, vou lhe confessar uma coisa: sabia que não daria certo! Apesar de muito bonita, percebi que não era mulher para você. Você é um cara bacana, honesto, trabalhador, e não merecia o que ela fez com você.

O indagado enrubesceu de tal forma que uma senhora que estava ao seu lado direito e ouviu a prosa até o momento, perguntou:

- O senhor está bem? Fique perto da porta para pegar um arzinho... Ele nem olhou para cara da velha e prosseguiu o papo.
- Diga logo o que aquela safada fez!!!
- Ah, não vem ao caso agora...deixa pra lá!

Uns 15 centímetros a menos que o falador, era a altura do Petrônio. Entretanto, a indignação fez com que o baixinho se assemelhasse a um titã e o encarasse de uma vez por todas para o esclarecimento dessa polêmica.

- Meu irmão, diga logo quem é você e de onde me conhece!!! – falou num tom de voz que o vagão inteiro virou-se para prestar atenção no que estava acontecendo, até então despercebido por quase todos no trem.
- Calma, Pepê!
- Pepê é uma vírgula, rapaz!!!Que intimidade é essa?? – esse era o apelido que os colegas do primário colegial os chamavam.

O misterioso percebeu que o negócio não estava ficando bom para o seu lado e tentou amenizar a situação:

- Como não se lembra de mim? Fui um dos garçons daquele churrasco que aconteceu na casa do vizinho do primo de terceiro grau do Cléber...

Confuso como canário em um ninho de urubus, Pepê começou o interrogatório:

- Churrasco? Garçom? Vizinho do primo? Cléber? Está brincando comigo, cara??
- Foi sim! Há 16 anos, não lembra? Era fevereiro, foi aniversário de 15 anos da irmã do Jaime, uma linda moreninha que fazia qualquer cristão babar! Na época, tínhamos dezoito anos e seu irmão, dezenove. Ele era doido pela Janete, a aniversariante, porém, nunca teve chance...
- E quem era Cléber? – perguntou mais desnorteado do que no começo da conversa.
- Foi o príncipe que dançou valsa com a Janete, mas namorava o Pablo, inimigo número um do Péricles, seu irmão!
- Tá! E onde entra Adélia nessa história?
- Lembra da Clarinha, melhor amiga da Janete? Eram unha e carne! Nunca vi tamanha amizade!
- Claro que não lembro!
- Caramba!!! Eu era somente o garçom e lembro de tudo isso...e você, que era convidado da festa, tá certo que de tabela, mas era, não se recorda de nada? Eu, hein?
- Então... A Clarinha, namorava o Heitor, mas queria ficar com o Ernesto, que por sua vez, queria ficar com quem? ADÉLIA!!!!!!!!!!!!!!!

Foi aí que o “enganado” não agüentou e gritou:

- Que pilantra!!!
- O que foi, lembrou do Ernesto?? – o ex-garçom questionou com um ar esperançoso.- Ainda não...
- Pois é...Clarinha insistiu, insistiu, insistiu até conseguiu hipnotizar o pobre do Ernesto. Heitor, sentindo-se humilhado perante tal descaso, resolver investir na conquista da Adélia, sua namorada...
- Sem-vergonha!!! Canalha!!! Se eu encontrá-la...ah, você vai ver!!!
- E o pior da história foi que ele...

De repente, o trem, que já estava vazio, deu uma freada brusca e Pepê foi parar quase no outro extremo do vagão. Bateu com a cabeça num banco e depois de três minutos acordou meio aéreo, sem saber muito bem onde estava. Olhou para o seu “amigo” e disse:

- Quem é você?
- O garçom, lembra?
- Não, mas por favor, traga-me um copo d’água e um analgésico, pois minha cabeça está doendo muito...



Por Leo Nunes.

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Por Leo Nunes.
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